Boca fechada, o segredo da calmaria.
Quando a boca se fecha e trabalhamos nossas ideias apenas no campo da mente, algo maravilhoso acontece. Sabe o quê? Sua mente entrará em estado de calmaria.
Nós estamos errando ao acreditar que podemos compartilhar tudo com as pessoas que amamos, pois todas elas têm necessidades a serem resolvidas e, quando contamos alguma coisa relativa a ganhos, conquistas, vitórias ou qualquer coisa que conseguimos, automaticamente elas pensam:
Poxa, mas e eu? Caramba, ele conseguiu e eu não. Nossa, essa pessoa está se dando bem e eu não. A maioria já associa a sua conquista a algo que você tem e ela não. Na psicologia, o termo mais aproximado seria: comparação social ascendente.
Quando isso produz a sensação de estar em desvantagem ou de ter menos que o outro, também pode aparecer o conceito de privação relativa: a pessoa não está necessariamente mal, mas se sente em falta porque se compara com quem possui algo que ela deseja.
Essa comparação é normal no ser humano. A intensidade, a frequência e a forma como a pessoa reage é que variam muito entre os indivíduos. Em resumo, é muito difícil contar tudo para alguém e esperar que isso não aconteça.
Todos vão se sentir, de certa forma, prejudicados quando você conquista alguma coisa. Quando se faz uma benesse para alguém e não para a pessoa ou para os seus, é a mesma coisa. Veja uma situação:
Um casal em que ambos têm filhos de outros casamentos. Quando o marido faz alguma coisa para a filha, automaticamente a atual esposa terá o sentimento: poxa, mas ele poderia fazer para minha filha também. Mesmo que a filha em questão não seja daquele pai, o sentimento automático é: fez para a filha dele, vai ter que fazer para a minha também.
No pior dos casos, acontece o seguinte: um pai que está em um novo relacionamento começa a dar presentes para a filha de sua atual esposa, e isso se repete por um tempo. Foram vários presentes, roupas, tênis, cursos e todo tipo de agrado. Mas aí esse pai, que tem uma filha de seu antigo casamento e já fazia tempo que não dava nada para ela, dá um presente à sua filha. A atual mulher fica sabendo. O que acontece?
A tal da comparação social ascendente. Note que esse pai deu vários presentes e agrados para a filha de sua atual esposa e já fazia tempo que não dava nada para sua outra filha, do antigo casamento. Foi só dar um presente para que se ativasse o mecanismo da discórdia. A mulher ou vai pedir uma nova coisa para sua filha como forma de equivalência ou vai dizer alguma coisa do tipo: mas ela precisa? Olha, vi sua filha na internet e ela está bem, viu.
Mesmo que esse pai dê tudo para a filha de sua atual esposa, e já haja vários anos que não dava nada para sua filha do antigo casamento, a atual esposa vai criticar ou querer algo como forma de compensação por esse presente que esse pai deu.
Por isso, a importância da boca fechada. Todas as pessoas que vi e com quem tive contato agiram desse jeito. Pode ser que exista alguém que aja diferente? Até pode, mas, até o momento, eu não tive o prazer de encontrar esse ser iluminado.
Tudo que fizer, faça no silêncio. Ao fechar a tua boca, você evitará muitos problemas. Talvez você diga: mas eu não escondo nada da pessoa que está comigo. Não se trata de esconder. Trata-se de fazer o que você tem que fazer e não ficar dando publicidade demasiada às coisas que faz.
Existem assuntos que devem ser resolvidos por você. Ficar relatando tudo acionará um gatilho de escassez em quem te ouve e, com certeza, fará a associação clássica: eu também quero, se ela tem, eu também posso. Isso tirará a paz da sua mente, ao passo que, se você ficasse quieto, teria evitado esse problema. Aliás, a boca fechada evita um monte de problemas.
A diferença está no que a pessoa faz com esse sentimento. Ela pode pensar: quero conquistar algo parecido, e transformar a comparação em motivação. Ou pode sentir uma inveja mais hostil, desejando diminuir, desmerecer ou até ver a outra pessoa perder aquilo que conquistou.
Chego a uma triste conclusão: ninguém fica feliz por sua felicidade.
Todos querem a sua parte e serão cruéis se você não der. Limites devem ser criados, regras estabelecidas, mas o principal é: a boca deve estar fechada. Talvez esse seja o segredo para o começo da calmaria em tua mente.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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