Borboletas na vidraça
Certa vez, enquanto caminhava pelos corredores do meu escritório, vi uma belíssima borboleta negra debatendo-se contra a vidraça. Ela batia as asas em ritmo frenético, parecendo nunca se cansar. Em determinado momento, porém, suas forças começaram a diminuir, até que ela se cansou e reduziu o ritmo.
A janela estava parcialmente aberta, mas ela insistia em seguir por aquele caminho. Ao observar a situação, peguei uma folha de sulfite e tentei ajudá-la. No começo, ela apenas repetia as tentativas frustradas de atravessar a vidraça.
Até que, em determinado momento, ela pousou sobre a folha de sulfite. Eu a direcionei para a parte aberta da janela, e ela voou livre, rumo à liberdade.
Esse simples episódio despertou em mim uma reflexão. Muitas vezes, não enxergamos o caminho óbvio que está praticamente a poucos palmos do nosso nariz. Insistimos em coisas e situações que nos cansam, mas continuamos porque foi assim que aprendemos.
Para aqueles que não acreditam em uma força superior, capaz de, vez ou outra, ajudar-nos a escapar das vidraças das dificuldades, eu digo que sinto que existe algo. Muitos podem chamar isso de destino, forças superiores ou Deus. O certo é que essa opinião pertence somente a mim. Jamais tentarei impô-la ou mesmo pregá-la a quem quer que seja.
Por diversas vezes em minha vida, senti-me como aquela borboleta batendo contra a vidraça. No final, porém, houve algo que me direcionou para o caminho certo. Se fizermos uma analogia com o caso narrado da borboleta e da vidraça, seria mais ou menos o seguinte:
Aquela borboleta já estava perdendo suas forças. Então, uma força superior a ela, dotada de bom senso e piedade diante de sua situação, enxergou um caminho que estava além das possibilidades daquela pobre borboleta e interveio para que sua realidade, naquele momento, fosse transformada.
A concepção que algumas pessoas têm de Deus é a de que Ele seja o ponto final, o ápice de tudo. Entretanto, penso que possam existir formas de vida muito mais inteligentes do que nós, capazes de contribuir para a melhoria de nossa situação temporária de dificuldade. Assim como tentei fazer a diferença na vida daquela borboleta, poderiam existir forças superiores a mim, capazes de me ajudar nos momentos de provação.
Talvez sejam cocriadores, seres dotados de uma inteligência superior à minha, que estejam de passagem, observando tudo o que acontece, assim como eu observava aquela borboleta.
Mas queremos sempre o contato direto com o dono. Queremos pular os intermediários e estar face a face com o poder primordial e incriado, sem considerarmos que possam existir seres dotados de uma inteligência superior à nossa e que estejam justamente ali para nos ajudar.
No final, penso que a maioria de nós é como uma borboleta diante de uma vidraça. Ficamos nos debatendo contra os vidros desta vida, querendo romper o caminho por meio da própria força. Por isso, sinceramente, acredito que existam benfeitores observando nosso cotidiano e que, volta e meia, nos estendam seus laços fraternais de carinho, preocupação e amizade.
Artigo: Irmão Barbosa.
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