As religiões e os sentimentos de pertencimento
Talvez o grande trunfo das religiões seja o sentimento de pertencimento que faz as pessoas acreditarem que possuem um lugar naquela comunidade. As patentes e as hierarquias são criadas para que as pessoas possam conquistar posições e ser respeitadas dentro de cada espaço.
O membro, o diácono, o presbítero, o pastor, o bispo, o apóstolo e assim por diante formam uma espécie de plano de carreira corporativo dentro do mundo espiritual. Quase todos querem galgar o próximo degrau e, assim, entregam seu precioso tempo nas mãos dos líderes religiosos.
Encontramos estruturas equivalentes no judaísmo e no islamismo.
Judaísmo
Membro: integrante da comunidade judaica.
Shamash: auxilia nas atividades da sinagoga.
Ancião ou membro do conselho: ajuda na administração e na orientação da comunidade.
Rabino: ensina a Torá, orienta os fiéis e conduz a comunidade.
Rabino-chefe: exerce uma autoridade religiosa mais ampla em determinada região.
Islamismo
Muçulmano: integrante da comunidade islâmica, chamada ummah.
Auxiliar da mesquita: ajuda na organização e nos serviços do local.
Ancião ou membro do conselho: participa da administração da comunidade.
Imã: conduz as orações e orienta os fiéis.
Mufti: autoridade capacitada para emitir pareceres religiosos.
São patentes criadas para que as pessoas desejem subir na hierarquia desses lugares. São posições concedidas aos membros para diferenciá-los dos demais. Talvez você me diga que eles fazem isso por amor. Respeitaremos sua posição, mas entendemos que essas hierarquias são estruturadas para que o sistema cresça.
É o sistema trabalhando para ampliar suas bases. Tudo foi formatado para manter a estrutura da matrix religiosa funcionando. A cada dia que passa, um novo membro é arrebanhado para servir aos interesses da religião e dos líderes religiosos.
Sentir-se parte de algo é o que mantém as religiões vivas. As pessoas desejam experimentar esse sentimento, fazer parte de uma comunidade e autodenominarem-se como alguém que é aquilo ou pertence àquilo.
Não temos nada contra essas pessoas. Temos contra a matrix do sistema. Se poucas pessoas se libertarem, digo mais, se apenas uma pessoa se libertar, nossa missão já estará cumprida.
Encrustada nas tradições por séculos e séculos, a religião tem feito com que as pessoas se sintam sozinhas quando não estão associadas a uma denominação. Queremos levar a notícia de que estar sozinho não é necessariamente ruim. A busca é o caminho do buscador. Não defendemos extremos, com ascetas peregrinando entre florestas e desertos em absoluta solidão.
Não precisa ser desse jeito. Entendemos que o mais importante não é o religioso, mas a pessoa que existe nele. As pessoas devem se encontrar, conversar e trocar experiências.
Após baterem em muitas portas, terão as informações necessárias para construir as próprias estradas rumo ao caminho da liberdade e à busca por respostas para seus vazios existenciais. Não importa como farão isso, mas que, pelo menos nesta vida, iniciem a sua busca.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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