O dilema do místico
A sociedade doente rotula o místico de louco. Pois este é um dos poucos que estão despertos das próprias loucuras da sociedade. Então, em uma espécie de dialética negativa, a sociedade transfere a sua loucura social para aqueles que enxergam, para que possa anular o perigo dos despertos. Enxergar a verdade em um ambiente onde todos estão doentes é muito perigoso para os planos dessa Matrix.
A sociedade aprendeu a conviver em um terrível e sombrio sistema de segurança. Nesse sistema é confortável que todos pensem como uma manada. Aqueles que ousam pensar diferente são automaticamente rotulados de loucos e desequilibrados. Essa é a armadilha e a encruzilhada do sistema.
O conjunto de regras da sociedade, que aqui damos o nome de sistema, está doente. Jamais admitirá essa doença e usa o seguinte artifício. Transferem o próprio problema para aqueles que enxergam suas chagas.
Aqueles que enxergam as feridas do sistema são automaticamente classificados como malucos e doentes. Imagine da mesma maneira que um antivírus busca a solução para deletar o problema.
Para viver no grande teatro social chamado vida, os místicos precisam ter duas personalidades. A primeira é aquela que enxerga toda a podridão do sistema e, mesmo assim, segue a sua vida.
A segunda personalidade do místico é aquela que convive pacificamente com tudo que acontece neste mundo. Ele está à margem do seu ecossistema, mesmo que tenha que sobreviver dentro dele.
Esse é o dilema do místico. Ele deve viver em uma sociedade de mentiras, sabendo que muitas práticas e ações são falsas. Mesmo assim precisa lidar com a própria verdade em solidão, para que não seja descoberto e, por consequência, denunciado ao grande tribunal do teatro social em que vivemos.
Artigo. Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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