Reflexões de um solitário
Eu travo uma batalha dentro de mim, não quero que ninguém me vença!
Talvez esse seja o motivo pelo qual tenho trabalhado tanto. Juntar dinheiro o suficiente para decidir quais poucas pessoas quero ter ao meu lado.
Em minha experiência, tenho visto o pior do ser humano se manifestar: ego, inveja, ódio, mentiras e, sinceramente, já estou cansado.
Meu modo de lidar com tudo isso tem sido enfiar a cara no trabalho. Tenho buscado providenciar os recursos para minha autossuficiência.
Mas existem pessoas que não se pode demitir de nossas vidas. E, diante disso, o que fazer? Continuo trabalhando para não pensar nisso. Talvez tanto trabalho leve minha saúde embora, e essa é uma escolha que eu não queria fazer.
O trabalho tem sido uma fuga, uma válvula de escape para que eu não diga o que teria que ter sido dito a algumas pessoas. Tenho oferecido ao altar da fortuna os melhores anos da minha vida e talvez eu me arrependa por isso.
Queria eu poder falar abertamente com as pessoas, contar as minhas vitórias, tudo aquilo que foi conquistado à custa de muito trabalho. Deixei muito de mim para isso. Entreguei minha essência, dias e noites de muito trabalho, até a plena exaustão do meu corpo, tudo como fuga.
Ver pessoas que dependem daquilo que você faz, da sua entrega desenfreada, da sua não procrastinação em prol do outro, e vê-las se divertindo como se não soubessem que você está se matando, tem me chateado muito.
Elas sabem do seu esforço e da sua devoção, mas seguem sorrindo e se divertindo, pois você, o último bastião, está lá para garantir tudo. Tenho agido como o último defensor de minha aldeia, encarando todos os desafios, colocando em risco a minha própria vida, enquanto elas se divertem.

Não que as pessoas não devam se divertir, mas que pelo menos pudessem dividir o fardo e as responsabilidades. Mas não é o que eu tenho visto.
É triste saber que aqueles que você ama estão tomando decisões erradas. A experiência me antecipa fatos que vão acontecer. Vejo como a maioria deles vai quebrar a cara feio por escolher pessoas e tomar decisões erradas, mas sigo em silêncio.
Tenho pensado neles com frequência, mas até agora não tenho intervindo. Afogo-me no trabalho e desvio meu olhar das decisões que eles têm tomado.
O triste é saber que vão quebrar a cara. Volta e meia tento avisar, mas decidi não mais fazê-lo. Se as pessoas fossem um pouquinho inteligentes, não precisariam nem me ouvir. Só precisariam seguir o raciocínio lógico e ver que certas escolhas não deveriam ser feitas.
Quando sigo trabalhando além da normalidade, é uma espécie de fuga desses cenários que tenho presenciado.
Mas a exaustão tem tomado a minha alma. Seria simples se tudo se resumisse apenas a apertar um botão, para que tudo parasse e eu simplesmente descansasse. Mas esse botão não existe. Sigo trabalhando como um carro desgovernado ladeira abaixo e sem freios. Mesmo sabendo que o impacto lá embaixo não terá piedade com o meu corpo, sigo acelerando até o impacto fatal.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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