O Tolerancialismo não quer seguidores
O Tolerancialismo é uma tentativa de filosofia de vida que incentiva a busca pelo conhecimento através de diferentes caminhos. Ele não se apresenta como uma verdade definitiva, mas como um convite à reflexão.
Não queremos que você nos siga. Queremos apenas que você pense.
Você não é obrigado a aceitar, obedecer ou se submeter a nenhum de nossos textos. No instante em que exigíssemos obediência, transformaríamos uma proposta de liberdade em mais um sistema de controle. E o Tolerancialismo jamais deverá se tornar aquilo que nasceu para questionar.
Não queremos conduzir você até o Tolerancialismo. Queremos incentivá-lo a procurar o seu próprio caminho no mundo, atravessando as milhares de portas que a existência coloca diante de cada ser humano.
Cada religião, filosofia, ciência, tradição, cultura e experiência humana pode representar uma dessas portas. Algumas oferecerão respostas. Outras despertarão novas perguntas. E talvez as portas mais importantes sejam justamente aquelas que nos fazem perceber que ainda sabemos muito pouco.
Não pedimos ofertas. Não cobramos dízimos. Não vendemos salvação, não prometemos recompensas e não ameaçamos ninguém com castigos. Não queremos controlar pessoas, governar consciências ou aprisionar pensamentos. Pedimos somente que cada ser humano exerça livremente aquilo que recebeu como uma de suas maiores faculdades: o raciocínio.
Você pode concordar com tudo o que está escrito nesta tentativa de filosofia de vida. Pode concordar apenas com algumas partes. Pode questionar seus princípios ou discordar completamente de cada palavra.
Qualquer que seja a sua escolha, ela pertence a você.
Pensar diferente é seu sagrado direito. Nenhuma pessoa é propriedade de uma religião, de uma filosofia, de um líder ou de uma organização. A consciência humana não deve possuir donos.
Aqui não existem cobranças, ameaças ou subornos. Ninguém prometerá prosperidade, salvação ou superioridade espiritual em troca de obediência. A dúvida e a busca são nossas colunas, porque aquele que duvida ainda está caminhando, enquanto aquele que acredita possuir toda a verdade corre o risco de fechar todas as portas ao seu redor.
A dúvida não é inimiga do conhecimento. Muitas vezes, ela é o primeiro passo em sua direção.
Não desejamos entregar respostas prontas para todas as perguntas da existência. Queremos apenas despertar perguntas que talvez ainda não tenham sido feitas. Não queremos construir pensamentos dentro de você, mas ajudá-lo a reconhecer que possui a liberdade de construir os seus próprios pensamentos.
O Tolerancialismo não pretende formar discípulos. Pretende recordar a cada pessoa que ela pode se tornar mestre de si mesma. Entretanto, tornar-se mestre de si não significa desprezar os mestres encontrados pelo caminho. Significa ouvi-los, aprender com eles, agradecer pelos ensinamentos recebidos e, ainda assim, conservar o direito de seguir adiante.
Esta tentativa de filosofia de vida não pede nada em troca. Não nasceu de uma revelação grandiosa, não desceu dos céus, não foi entregue por seres superiores e não reivindica qualquer origem sobrenatural. Nasceu da experiência, da observação, da dúvida, dos encontros, das contradições e da busca humana por algum entendimento.
Não há nada de especial ou infalível nela.
O Tolerancialismo é apenas uma busca. É a experiência de quem caminhou por algumas estradas e decidiu compartilhar aquilo que encontrou. Essas experiências podem servir ao autor e não servir a mais ninguém. Cada texto representa um ponto de vista, jamais uma verdade que deva ser imposta ao mundo.
A verdade talvez seja grande demais para caber em um único livro, templo, laboratório, filosofia ou consciência. Talvez ela esteja fragmentada em milhares de partes, espalhada entre diferentes povos, épocas, culturas e formas de compreender a existência. Por isso, aquele que atravessa muitas portas começa a perceber que nenhuma delas possui, sozinha, todas as respostas.
Não procure no Tolerancialismo um lugar para aprisionar sua consciência. Use-o, se desejar, apenas como mais uma porta. Entre, observe, reflita, absorva aquilo que fizer sentido e deixe para trás o que não falar ao seu coração ou ao seu raciocínio.
Depois, continue caminhando.
Queremos que você procure sua própria verdade, forme seu conjunto particular de ideias e escreva o seu próprio livro. Queremos que a amizade entre as pessoas seja mais importante do que as crenças que as separam. Antes de perguntarmos em que alguém acredita, devemos perguntar do que esse irmão necessita.
A crença e a não crença pertencem à intimidade de cada consciência. A fraternidade, porém, pertence a todos.
O Tolerancialismo não deseja ser o fim de sua procura. Deseja apenas lembrar que você nasceu com o direito de procurar.
Não queremos sua submissão.
Não queremos sua obediência.
Não queremos que você repita nossas palavras.
Queremos apenas que você pense livremente, atravesse suas próprias portas, escolha conscientemente os seus caminhos e respeite o direito de todos os outros seres humanos fazerem o mesmo.
Se, ao final dessa caminhada, você discordar completamente de nós, ainda assim algo essencial terá sido preservado: sua liberdade.
E talvez seja justamente essa liberdade a única ideia que jamais deveríamos abandonar.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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