Decidi me libertar das regras das religiões e seguir meu próprio caminho.
Agradeço a todos os professores que tive em todos os caminhos que percorri. Nas portas às quais bati, recebi ensinamentos e conselhos.
Aprendi o que deveria fazer e também aprendi o que não deveria fazer.
Ao termos a coragem de abrir uma porta nova, teremos sempre duas opiniões. Antes de abrir a porta, temos uma ideia; após termos a coragem de abri-la e conhecer o que há lá dentro, teremos a experiência do que realmente é.
Fiz amizades e conheci pessoas fantásticas. Algumas levarei para o resto da vida; outras foram puro aprendizado.
Encaro cada alegria e cada tristeza como algo válido para o meu aprendizado. Agradeço de coração a todos que cruzaram minha existência nos lugares que tive coragem de conhecer e nos quais entrei.
Mas decidi que devo seguir o meu caminho, mesmo sabendo que a busca do buscador é solitária. Regressarei a muitas das portas às quais bati, quando tiver oportunidade, para abraçar os amigos que deixei lá.
É hora de pôr o pé na estrada, conhecer novas culturas e novas pessoas. Mesmo naqueles lugares onde a esgrima de ideias deixou marcas, não guardo mágoas. Ideias diferentes das nossas são necessárias para o nosso aprendizado.
Quando domamos o nosso ego, aprendemos mesmo com opiniões bem antagônicas às nossas. A figura do religioso é uma, e a pessoa do religioso é outra.
Todos gostam de ser bem tratados, com carinho e muito respeito. Essa deveria ser, ao meu modo de pensar, que só serve para mim, uma espécie de linguagem universal.
Nessa linguagem, primeiramente perguntamos aos nossos irmãos terrenos do que estão precisando, antes de perguntar no que acreditam.
Fui recebido em muitos templos com muito carinho por todos os meus irmãos; em outros, sob o olhar de desconfiança dirigido a um rebelde libertário. Mas entendo: foi dessa maneira que eles aprenderam. Geração após geração, é o jeito que lhes foi ensinado.
Unicamente entenderá o ser humano aquele que o ama sem esperança. Assim disse um homem. Quando amamos sem esperança de recompensas, sejam elas a concordância com nossos pontos de vista ou qualquer tipo de sentimento compensatório, é aí que realmente vamos entender a pessoa e não o religioso.
Imagino-me como uma pessoa que gosta de visitar várias casas, um viajante que nunca se esquece de onde foi bem acolhido. Mesmo nos lugares onde foi rejeitado, não guarda mágoas, pois entende que cada pessoa aprendeu de um jeito e professará a sua fé conforme a recebeu.
Não estarei lá para mudar ninguém, pois a mudança ocorre quando algo verdadeiramente nos toca por dentro e não pela imposição. Seguirei meu caminho com calma, mansidão e calmaria em minha alma.
Fico muito feliz por aqueles que se encontraram em algum espaço e são felizes por lá. Eu sigo a minha busca, desejando que ninguém me siga, mas que cada um simplesmente siga e procure o seu próprio caminho.
A solitude da procura nos traz um olhar de criança que se surpreende com cada nova descoberta. Pelo menos, é assim que eu entendo: essa é a minha verdade, que só serve para mim. Que todas as pessoas possam procurar a sua verdade, mesmo que estejamos atrás apenas de um pálido clarão daquilo que chamamos de verdade.
Sigo minha caminhada com meus passos cansados pelo tempo. Não almejo mais a grande revelação, a iluminação ou a grande descoberta, porque tudo isso me faria acreditar que seria o portador de algo grande. Talvez o ego me fizesse querer falar em nome dessa descoberta, como se fosse uma grande verdade que deveria ser revelada a todos. Sinceramente, isso é tudo de que tenho fugido.
Cada nova descoberta é o que me basta. Cada novo aprendizado é o que procuro. Nada de grandes verdades absolutas, pois essas têm corrompido a alma dos homens. Nunca pregarei nada como algo imutável ou como verdade suprema. Que todos possam ser livres, procurando seu próprio caminho dia após dia.
Agradeço a todos os irmãos e irmãs que cruzaram meu caminho. Levo um pouco de cada um e tentei deixar um pouco de mim. Entre a madeira do berço e a madeira do esquife, a vida é aquilo que acontece no meio desse caminho.
Artigo de Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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