As crianças e as religiões
As principais religiões do mundo têm ensinamentos relacionados às crianças.
As crianças nos livros sagrados
No Atharva Veda 3.30.2, encontramos o ensinamento: Que o filho seja leal ao pai e esteja em harmonia com a mãe. A passagem mostra o respeito e a reverência que os filhos aprendem a ter por seus pais, e esse é, necessariamente, um dos lados dos livros sagrados.
Já no Bhagavad Gita 9:17, lemos: Sou o pai deste universo, a mãe, o sustentador e o avô. Krishna apresenta o divino como origem e sustentação da existência. Trata-se de uma imagem de parentesco universal. Lembramos da música do grande Raul Seixas.
No Alcorão, em Ad-Duhá 93:9, encontramos: Não maltrates o órfão. É uma determinação direta de respeito e proteção à criança desamparada.
Na Torá, em Deuteronômio 6:7, lemos: Ensina estas palavras aos teus filhos e fala delas em casa, pelo caminho, ao deitar e ao levantar. A transmissão dos ensinamentos deve fazer parte da convivência cotidiana.

No cristianismo, em Mateus 19:14, encontramos: Deixai as crianças virem a mim e não as impeçais. Jesus acolhe as crianças e afirma que o Reino dos Céus pertence aos que são como elas.
No budismo, o Itivuttaka 106 apresenta o ensinamento: A mãe e o pai são muito úteis aos filhos: cuidam deles, criam-nos e ensinam-lhes sobre o mundo. A passagem destaca o cuidado e a responsabilidade dos pais na formação dos filhos.
No zoroastrismo, o Vendidad 15.45 afirma: As crianças devem ser sustentadas por sete anos. A passagem estabelece uma obrigação de sustento durante a infância, no contexto da antiga comunidade zoroastriana.
Nos escritos sagrados da Fé Bahá’í, a educação dos filhos é apresentada como obrigação. Em Seleções dos Escritos de Abdu’l-Bahá, 98.1 e 98.2, encontramos: A educação e a formação são registradas no Livro de Deus como obrigatórias, não voluntárias. O texto atribui ao pai e à mãe o dever de educar filhas e filhos, incluindo sua formação nas ciências e nas artes.
A fé herdada e a liberdade de escolha
As religiões possuem ensinamentos em seus livros sagrados que visam à harmonia da família e à educação das crianças. É como se fosse uma espécie de pré-escola, mas aqui cabe uma reflexão muito profunda.
Se nem sua fé é sua, se ela foi herdada ou adquirida pelo convívio dos seus pais com determinados grupos, por que querer que seus filhos sigam o mesmo caminho que você?
No Tolerancialismo, acreditamos que as crianças devem brincar e estudar em suas escolas, de preferência sem viés religioso. Crianças devem ser crianças e aproveitar essa fase, sem que se imponha nada a elas.
Ser criança é, antes de tudo, enxergar o mundo com um olhar de novidade. Dirijo-me agora aos pais: sua fé foi herdada ou construída?
Se você tivesse nascido no Paquistão, muito provavelmente seria muçulmano. Seu livro sagrado não seria a Bíblia, e sim o Alcorão.
A Tailândia possui a maior população budista do mundo, com cerca de 68 milhões de fiéis, segundo estimativas do Pew Research Center referentes a 2020. Se você tivesse nascido lá, muito provavelmente seria budista.
As regionalidades influenciam as pessoas em suas religiões. Agora, uma pergunta: se um país, uma família e uma cultura local já escolheram por você, onde está o seu direito de ser livre?
Que as crianças sejam apenas crianças
Deixem as crianças serem livres, brincarem e serem felizes nessa fase. Construir a fé deve ser um caminho livre, e não uma condução coercitiva, sem opções de paradas e lugares diferentes.
Que as crianças sejam apenas crianças, e não portadoras hereditárias de um estandarte empunhado há séculos que elas nem conhecem.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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