A busca do pão de cada dia
A busca do pão de cada dia sentencia a alma a uma eternidade de despesas. Obscurecendo o sentido da existência.
Me faço um questionamento.
Miserável homem que sou. Desperto cada dia não para buscar o sentido da minha vida, mas para pagar o preço da existência. Levanto-me não por amor à vida, mas por medo das dívidas que tenho que pagar.
E nisso esqueço o infinito.
O cotidiano me convoca ao pagamento das contas.
O eterno ao silêncio. Mas tenho escolhido os ruídos da minha própria existência.
Cada manhã é uma prisão disfarçada de rotina. Uma rotina que tenho que viver. Vivo porque as contas vencem antes que eu possa pensar sobre o que eu quero fazer e, realmente, o que eu tenho e quero viver.
A eternidade tem me ensinado. Mas os boletos gritam mais alto. Sou escravo de um tempo que não me pertence mais.
Trabalho para existir. E existindo, esqueço de ser.
Há uma tristeza em cumprir deveres. Deveres que não alimentam a alma com as coisas boas da vida.
Quem tem contas a pagar não pode filosofar em paz.
Essa é a amarga realidade. A realidade que temos experienciado nas duras estradas de nossas existências.
A busca do pão de cada dia tem sentenciado cada alma. A uma eternidade de despesas a serem pagas pela própria existência.
O relógio tem me despertado. Mas nunca me desperta para o essencial de uma vida que deveria ser vivida sem tanta responsabilidade.
As tantas exigências da vida matam o tempo necessário às reflexões. Reflexões que realmente preciso fazer. Reflexões que são apenas reflexões, mas que aliviariam o tédio de uma existência sem sentido.
Enquanto pago o preço da sobrevivência. A eternidade passa essa vida sem truque.
Ultimamente não é o meu corpo que tem se levantado todas as manhãs. É a responsabilidade que me cobra para que eu pague os compromissos com tudo o que tenho. E esse tudo que tenho só queria descansar.
Os dias têm se repetido. Enquanto o sentido da vida se ausenta.
Tenho vivido em um mundo. Um mundo onde o pensar é luxo e o dever é a lei de uma existência triste.
A alma tem desejado o céu. Mas o bolso exige o chão.
É uma dura realidade.
O trabalho tem sustentado o meu corpo e a minha família. Mas tem consumido o meu espírito e as minhas verdadeiras vontades, que ficam reféns dos compromissos diários.
E faço uma reflexão final.
Quem vive apenas para pagar o amanhã. Esquece o valor do agora.
Artigo. Irmão Barbosa
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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