SEMPRE O ALTO COMANDO ESTRAGA TUDO
24 de dezembro de 1914. Véspera do Ano Novo. Soldados britânicos, alemães e até alguns franceses decidiram fazer uma trégua espontânea. Isso não ocorreu de forma total, mas em partes separadas do campo de batalha.
Espontaneamente cantaram cânticos de Natal. Em suas línguas, jogaram partidas de futebol improvisadas, momentaneamente confraternizaram e, respeitosamente, enterraram seus mortos.
Notem que a natureza humana. Não é de todo má. Por si só, o ser humano quer paz e tranquilidade, apenas deseja um dia com sua família sem matar seus irmãos. Isso é o ser humano em sua essência, sem a interferência de comandantes.
Quando isso chegou aos ouvidos do alto comando. A ordem foi dada para que a guerra retomasse com força total. Traço esse paradoxo com os líderes religiosos. O religioso em si na maioria dos casos, é uma boa pessoa, quer o bem, mas quando inflamado por seu líder poderá apresentar o pior comportamento possível, mostrando sua pior versão, tudo isso em nome do dogma e do culto.
Os soldados de 1914. Sem as ordens do comando, celebraram a paz e a harmonia entre seus irmãos. Confraternizaram entre inimigos que, na verdade, são sempre criados pelo topo da cadeia, leia-se os líderes. São eles que dizem: você é cristão, não pode se misturar com o pessoal do terreiro; você é judeu, não pode se misturar com o pessoal da mesquita. Eles criam até os inimigos para você.
O que tentamos pregar aqui. É uma sociedade livre de dogmas, de mandos e desmandos de seus líderes. Falamos em pregação por força do hábito, mas a palavra correta seria carta aberta aos religiosos. Somos a única filosofia de vida que tem coragem de incentivar você a procurar outras filosofias, outras religiões e outras formas de pensamento, tudo isso por um simples motivo.
Não queremos ser donos de nada. Não precisamos controlar pessoas e, por último e não menos importante, não queremos o seu dinheiro, muito menos controlar a sua vida.
Penso que tenho escrito não apenas para as pessoas do meu tempo, mas para as próximas gerações. O sistema inteiro tenta fazer você se sentir culpado. Isso acontece quando, na igreja, você é atacado diuturnamente com ameaças do fogo eterno. Você que já foi ao terreiro, a um centro espírita ou a qualquer fé diferente da sua, não se sinta culpado. Quem tenta te atribuir culpa sequer tem esse direito.
Os líderes saboreiam as vantagens desta terra e querem que você continue preso na matriz religiosa, pagando as contas deles. Meus irmãos, me perdoem pelo tom, mas como não me indignar ao ver pessoas tirando proveito de vocês?
Os soldados de 1914. Não viram seus inimigos como monstros, mas como pessoas iguais a eles, com as mesmas necessidades, dores e medos. Houve ali a manifestação do que há de melhor no homem. A piedade, a fraternidade e a grande irmandade universal emergiram do caos da ignorância. Temporariamente, a venda foi rompida naquele momento, mas o comando colocou tudo a perder. Muito sangue foi derramado pelo estado egoico dos líderes, que não se importaram se filhos perderiam seus pais ou se esposas perderiam seus maridos.
Nossa luta nunca será contra a religião ou contra os religiosos, mas sempre contra os líderes que se colocam acima de seus próprios irmãos. Onde houver servidão religiosa, escravização de sentimentos pelos cárceres do dogma e líderes se aproveitando dos menos favorecidos, ali estará o estandarte de guerra do Tolerâncialismo contra quem se acha dono, nunca contra os irmãos de cada credo.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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