Os Donos dos Templos

Os Donos dos Templos

Já ouviram essas expressões. Fulano de tal e sicrano mandam na igreja, literalmente são os donos. No terreiro, tem uma panelinha. No centro espírita, determinadas pessoas se acham as próprias entidades.

Enfim, tudo isso mostra que o maior problema de todas as religiões e sistemas são os próprios líderes religiosos. Volta e meia, ouvia pessoas de minha família reclamarem sobre a filha do pastor presidente da igreja que frequentavam, reclamavam do autoritarismo da filha do pastor, que até escolhia quem cantava ou não no coral da igreja.

Líderes religiosos que, por comando ou herança, criam e recriam suas próprias regras. Ou seja, exercem tudo aquilo não por uma possível liderança divina, mas terrena. Esse é o ambiente que devemos evitar, pois somos livres e devemos ficar onde somos bem recebidos. Quando os líderes religiosos entenderem que não devem ameaçar ninguém através do medo, ou qualquer outro tipo de coerção, talvez os templos sejam locais mais amorosos e tranquilos de serem frequentados.

Mas isso nunca vai acontecer, por um simples motivo. Os líderes religiosos não querem pessoas livres, pois perderão arrecadação se isso acontecer.

Esse padrão de medo, ameaças e controle é visto em praticamente todas as religiões. Vemos os donos de igrejas colocando suas próprias regras, dizem quem pode e quem não pode frequentar o templo, com normas implacáveis feitas para que possam exercer seus domínios sobre todos que se sujeitam a permanecer ali.

O mesmo acontece nos terreiros. Vemos representantes de religiões de matrizes africanas com um sorriso de satisfação no rosto, quando seus filhos se humilham por um pouco de atenção.

Senhoras no kardecismo conversam com você com ar de superioridade. Quando sabem que você é de outra religião, olham de cima para baixo, como quem diz: Jesus tem misericórdia, esses não sabem de nada.

Na própria Mesquita, conversei com o tradutor de um Sheik. O líder falava comigo adotando uma postura como se eu fosse um coitado, um ignorante. Todos os meus pontos de vista eram rechaçados. O dogma dele era tão forte que sequer considerava a discussão de qualquer ponto de vista, mesmo que fosse impraticável nos dias atuais.

Para quem frequenta a maçonaria, saberá do que digo quando falo dos donos de loja. Pessoas que não são abertas a novas ideias, embora a maçonaria não seja uma religião, determinadas lojas agem no mesmo padrão de controle das religiões aqui citadas.

Até mesmo pessoas com muito conhecimento, meus irmãos do budismo. Quando confrontados com argumentos lógicos, saem de sua tradicional calma e partem para a ofensiva.

O dogma é uma cela que o próprio líder constrói ao seu redor. Quando decidimos morrer abraçados às nossas verdades particulares e desistimos da possibilidade do novo, seremos eternamente escravizados pelas armadilhas do sistema.

O tolerancialismo acredita na total liberdade de cada pessoa. Onde você pode ir a qualquer lugar sem reservas. O próprio ambiente que você encontrar lhe dará essas respostas.

Você sempre deve ir e voltar aos locais que lhe recebem bem. Você não volta por obrigação, mas porque o ato de voltar faz bem para você. As religiões e os sistemas deveriam ser como países sem fronteiras, onde irmãos se visitassem para celebrar um ágape fraternal, sempre um em respeito ao outro.

Artigo. Irmão Barbosa.


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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
Saiba + sobre o Tolerâncialismo:

O que é o Tolerâncialismo? – Toleran o Livro do Tolerâncialismo

O que é o Tolerâncialismo?

O que é o Tolerâncialismo Movimento filosófico que propõe a união de religiosos e irreligiosos, a partir da amizade entre as pessoas, tendo a religião e a irreligião como algo secundário. A investigação nos vales das religiões, filosofia e ciências deve ser a busca de todo tolerancialista. Primeiramente, deve ser celebrada a amizade entre as … Continue lendo O que é o Tolerâncialismo?