Testas oleosas que se acham mentes iluminadas
Eu era um cara legal antes de o sistema me deixar chato com todas as suas regras. Eu brincava, sorria, fazia piada de tudo e me maravilhava com cada descoberta.
Lançava aquele olhar de criança surpresa cada vez que aprendia uma nova lição.
Aprendi algumas coisas muito tristes também. O sistema não é capaz de conviver com pessoas felizes! E é totalmente avesso aos quatro mensageiros da felicidade, que são:
Serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina.
Pessoas felizes desagradam à cúpula. Seus integrantes querem pessoas tristes e agem para isso, exercendo sua grande teia de domínio e manipulação.
Ter a própria opinião é algo inadmissível aos senhores do templo.
Para tanto, o único meio de transitar por lá seria o uso das máscaras sociais. Você mascara sua real personalidade para tentar conviver e contracenar no grande teatro social dos senhores daquele sistema.
O grande problema é que, de tanto usar máscaras para conviver naquele ambiente, pouco a pouco vai morrendo sua real personalidade. A pessoa feliz vai ficando triste ao deixar, pouco a pouco, de ser quem realmente era.
Ser quem você realmente é poderá desagradar aos senhores do lugar e te levará face a face com a encruzilhada que representa o confronto de tua vida. De um lado, você sendo você; do outro, o homem das máscaras, que busca, ato a ato, contracenar com cada situação que acontece ali.
Experimente ser quem você é e veja o que acontece. Todo grande reformador que conheço foi perseguido. Quando você pede a bênção aos senhores dos templos, tudo seguirá em paz. Mas ouse expressar sua opinião, ou apenas seja você por um momento, e será acusado do crime mais hediondo que existe nos sistemas: ter opinião própria, pensar diferente do grupo.
Cheguei a uma breve conclusão que serve apenas para mim e para mais ninguém. É o meu entendimento, o pensamento que desenvolvi sem a influência dos demais, aquilo que entendo servir apenas para mim:
O caminho do buscador é solitário. Não queira ser compreendido em tua solidão. Transforme esse sentimento em solitude, que é o ato voluntário de estar só, aproveitando esse tempo para refletir sobre tua vida. O desafio é não se sentir sozinho, mas acompanhado de sua própria companhia.

Cansei de me moldar aos ambientes que frequentava. Viver contracenando com pessoas que fingem ser aquilo que não são e que, forçosamente, fazem você fazer o mesmo é totalmente desgastante.
Penso que, se cada ser humano fosse ele mesmo, tudo seria muito mais simples. As pessoas que não gostassem de você iriam embora. Já aquelas que escolhessem ficar seriam justamente aquelas de quem você precisa em sua vida. Você realmente precisa, na sua vida, de quem fica com você exatamente por aquilo que você é.
O grande teatro social da vida possui os diretores de cada peça. Todo esse grande ecossistema quer que você dance conforme a música. Você viverá se adequando até não sobrar mais nada do que realmente foi um dia.
Muitos de nós temos anulado nossa verdadeira personalidade para participar de uma peça que tem nos desgastado pouco a pouco. O buscador tem duas opções:
Ou se retira do ambiente e segue sua caminhada sozinho, junto com sua solitude, ou se mantém na grande peça do teatro social chamado vida, sem se importar com nada do que eles dizem. O preço é caro: você será excluído de muitos eventos, não participará da mesa deles e poderá até ser chamado de rebelde.
Nesse momento, estou prestes a tomar uma decisão: ou me retiro dessa grande peça social, ou seguirei apenas fazendo aquilo que agrada ao meu coração. Ao fazer aquilo que quero, tenho a consciência de que serei criticado e expulso de algumas peças. Mas, sinceramente, em nome de minha paz e tranquilidade, pouco estou me lixando para isso.
Aprender a dizer não é libertador. Eles vão dizer: poxa, precisamos de você lá hoje, é muito importante. Se eu não quero ir, simplesmente direi: não posso. E vão retornar com a pergunta: mas por que você não pode? O mais importante é não se explicar, apenas dizer que está impossibilitado momentaneamente.
Dessa forma, você responde, se livra do compromisso indesejado e não dá explicações a quem quer que seja. Onde erramos é quando queremos nos explicar demais.
Talvez você pense: mas as pessoas vão ficar chateadas comigo. E eu te respondo: o grande problema com que você deve se preocupar é ficar chateado consigo mesmo.
Por muito tempo, me preocupei com o que as pessoas iam achar de mim, principalmente quando eu recusava compromissos. Hoje, eu me preocupo com o estresse que isso vai me causar.
Aprendi que, indo ou não indo, tudo passará e nada do que foi feito será lembrado como você gostaria que fosse. É engraçado como as pessoas dão mais valor àqueles que não se importam com nada.
Se alguma coisa for me causar o mínimo de estresse, primeiramente pensarei na calmaria de minha mente, antes de assumir um compromisso no qual irei me estressar e não serei reconhecido posteriormente.
Talvez você pense: mas querer ser reconhecido não é o ego? Talvez seja, mas quais de nós não queremos ser reconhecidos por nossas obras? Ainda que você seja um ser iluminado e queira continuar insistindo no estado egoico contra teus interlocutores, cabe uma análise mais profunda:
Não seria essa sua iluminação, ou talvez, quem sabe, essa tua pseudoiluminação, uma maneira disfarçada pela qual o ego te emboscou em uma armadilha?
Cavando mais profundamente, talvez nós dois sejamos partes da mesma hipocrisia. E, se alguém se achar o iluminado que tenha vencido as artimanhas do próprio estado egoico, talvez seja essa a armadilha final do ego, que vence todas as testas oleosas que se acham mentes iluminadas.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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