O cavaleiro e a armadura
Logo após um longo período de guerras, um cavaleiro era visto andando pelo vilarejo com sua armadura. Já havia se passado algum tempo, mas ele continuava revestido dela.
As crianças já brincavam sem nem mais conhecer o som da guerra. Aquele povoado já tinha se acostumado com a calmaria de dias de paz e tranquilidade. Tudo estava em paz, mas o cavaleiro continuava trajado com sua armadura.
Todos transitavam pelas ruas com roupas leves, e a paz pairava naquele ambiente. Mas, dia após dia, o cavaleiro aparecia pelas ruas trajando a sua armadura.
Uma vez, uma pessoa próxima perguntou a ele se todo aquele peso e calor não o incomodavam. Por que ele não fazia como todos os outros, que andavam com roupas leves e estavam despreocupados?
O cavaleiro não queria responder, mas acabou falando: as marcas da guerra não estão apenas no meu corpo, mas seguem vivas em minha mente. Mesmo que eu quisesse, não ficaria à vontade sem minha armadura.
E assim muitos de nós seguimos vestidos com nossas armaduras. Seguimos nos protegendo contra guerras, sejam elas físicas ou psicológicas.
Certa vez, lembro que, em um período difícil, eu tinha um Golzinho chaleira. Era o único meio de locomoção que as minhas condições permitiam ter. A porta sempre abria quando eu passava por uma lombada, então desenvolvi um mecanismo de defesa: eu andava segurando a porta por onde quer que passasse, para que ela não abrisse.
Anos depois, consegui comprar um carro 0 km. Por muito tempo, mesmo naquele carro novinho, eu andava segurando a porta para que ela não abrisse. Fiquei com essa lembrança do passado, de um período difícil que eu tinha superado, mas que ainda recordava com muita tristeza. Segurar aquela porta era como lembrar de parte do meu passado, das dificuldades que eu tinha enfrentado. Mesmo tendo superado tudo aquilo, eu seguia segurando aquela porta.
Essas são as marcas das guerras que vencemos. Mesmo depois da vitória, elas ficam sobre nós, arquivadas em nossa mente, como a armadura que o cavaleiro insistia em usar mesmo em dias de tranquilidade.
Talvez você tenha superado os seus problemas e ainda vista a sua armadura, ou quem sabe ainda segure a porta do carro, ou ainda faça algo como medida de segurança. Você não deve ter vergonha disso. Na verdade, deve ter orgulho, pois conseguiu superar suas dificuldades.
Para você que ainda está em modo de defesa, tenha calma, um dia isso vai passar. Para quem ainda está no meio das batalhas desta vida, gostaria de deixar uma mensagem:
Nunca haverá mal que dure para sempre. Quando a noite estiver mais escura em sua vida, isso só significa uma coisa: o sol está prestes a raiar. Você conseguirá resolver os seus problemas e tudo será apenas lembrança, pois tudo nesta vida passa.
Devemos retirar nossa armadura e procurar viver uma vida mais leve. Ao nos destituirmos de todas as expectativas que as pessoas têm sobre nós, esse peso já não será mais nosso, e poderemos caminhar tranquilamente como as pessoas do vilarejo. Mas, para isso, a opinião dos outros não deve mais nos importar.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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