Existe redenção para quem já tirou tantas vidas?
A religião pode trazer paz sem apagar o passado?
O papel da religião na vida de um homem que carrega tanto sangue nas mãos precisa ser analisado com profundidade.
Não estamos falando de perdão automático, muito menos de impunidade. Estamos falando da possibilidade de retirar um assassino das ruas, libertar um alcoólatra do vício ou afastar uma pessoa de qualquer caminho que cause sofrimento a ela e à sociedade.
É por isso que o Tolerancialismo reconhece que existe um lado necessário nas religiões.
Se, por meio de seus ensinamentos, uma religião é capaz de fazer um homem abandonar os males que praticava contra outras pessoas, então sua existência já cumpriu um papel social que merece ser reconhecido.

A liberdade espiritual, a iluminação e o rompimento com sistemas que aprisionam pertencem a outra reflexão. Aqui, falamos apenas sobre aquilo que pode melhorar o ser humano, independentemente daquilo em que acreditamos.
Se a religião retira um homem de um caminho tortuoso, esse resultado precisa ser considerado.
Alguns dirão que a religião é um dos grandes males da humanidade. Esta escola, que se apresenta apenas como uma tentativa de filosofia de vida, prefere observar a polaridade presente em todas as coisas.
A mesma religião que enviou homens às fogueiras, perseguiu pensamentos, silenciou vozes e participou de atrocidades documentadas pela história também pode transformar a vida de um homem e impedir que ele continue fazendo o mal.
Reconhecer um lado não exige negar o outro.
Nem tudo é perfume. Nem tudo são espinhos. Em todas as coisas da vida, a luz e a sombra podem habitar o mesmo lugar.
Talvez a verdadeira reflexão não seja perguntar se a religião é absolutamente boa ou absolutamente má, mas compreender o que o homem escolhe fazer com aquilo que aprende dentro dela.
Existe redenção para quem derramou tanto sangue?
A religião pode transformar um homem sem apagar aquilo que ele fez?
O arrependimento muda o passado ou apenas impede que o mal continue avançando?
Para o Tolerancialismo, o bem e o mal estão presentes, e a dualidade sempre se apresenta.
Sem julgamentos e sem verdades impostas. Apenas uma salutar esgrima de ideias.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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