Na hora derradeira de minha existência, desejo que minha mente seja um jardim sereno. Que ela se incline para campos verdejantes, onde o vento dança suavemente e a vegetação ondula como se o próprio universo respirasse em paz.
Que, na travessia silenciosa entre o plano físico e o mistério do espiritual, a primeira visão que me acolha seja a de minha doce amada. Que eu a veja sorrindo, não como lembrança, mas como presença viva, aguardando-me além do véu.
E que minha essência, liberta dos limites da matéria, se encha de alegria ao reconhecê-la. Que eu corra ao seu encontro não com passos, mas com alma, e que em nosso abraço se dissolvam o tempo, a distância e o enigma chamado morte.
Que esse instante final seja a confirmação de uma verdade que sempre intuí. O amor não pertence ao mundo, ele o transcende. O amor não termina, ele continua.
Desde já, educo minha mente para esse momento. Aprendo, em vida, a arte de morrer antes da morte. Dissolvo medos, suavizo apegos, aquieto a ansiedade do fim, para que minha consciência parta lúcida, leve e direcionada àquilo que verdadeiramente importa.
Não peço riquezas, nem glórias, nem novos começos. Peço apenas que o laço que uniu nossas almas permaneça íntegro além das formas, além das vidas, além dos mundos.
Rogo ao Pai amantíssimo, fonte de todas as fontes, que conceda este último desejo da alma ainda vestida de carne. Reencontrá-la na calmaria do eterno.
Que possamos caminhar de mãos dadas em um plano onde não existam preocupações, nem doenças, nem aflições. Onde o coração finalmente descanse, não do amor, mas dentro dele.
O que senti aqui foi vasto demais para caber em uma única existência. Carrego a silenciosa certeza de que o que é verdadeiro não se perde, apenas se transforma.
Amo Clavis Est Orbi Universi.
O amor é a chave do universo.
Quando eu me despedir desta vida, que seja não com tristeza, mas com a serenidade de quem sabe que uma vida é pouco para conter a eternidade de um amor.
Agradeço ao grande arquiteto do universo pela dádiva do encontro.
Peço, como última prece, apenas a continuidade daquilo que nunca deixou de ser eterno.
Artigo: Irmão Barbosa.
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